|
Desde
a época de ocupação árabe a povoação de Elvas era abastecida
pelo Poço de Alcalá, situado perto do antigo Paço Episcopal.
No entanto, a partir do século XV, devido ao aumento da
população, o poço tornou-se insuficiente para abastecer de
água a cidade. Logo no início do reinado de D. Manuel, o
monarca autorizou o lançamento de um imposto, o Real de
Água, para serem executadas obras de conservação do poço
medieval. Estas obras não resolveram os problemas de
abastecimento existentes, pelo que a edilidade local pensou
em construir um aqueduto que trouxesse a água desde os
arrabaldes, no local da Amoreira, até ao centro da cidade.
Em 1537 D. João III designou o arquitecto Francisco de
Arruda, mestre das obras do Alentejo e autor do Aqueduto da
Prata de Évora, para executar o projecto do novo aqueduto de
Elvas. As obras iniciaram-se no mesmo ano, prosseguindo até
1542, data em que a extensão do canal chegava ao Convento de
São Francisco. Seguiu-se então a execução da parte mais
complexa do projecto, uma vez que depois dos seis
quilómetros iniciais já edificados, os arcos do aqueduto
iriam aumentar de dimensão. A obra tornava-se cada vez mais
onerosa, embora os impostos cobrados aos habitantes da
cidade destinados à edificação do aqueduto fossem sendo
aumentados ao longo dos anos. O aqueduto
que se
estende por uma extensão de cerca de oito quilómetros,
comporta um conjunto de diversas galerias, que numa primeira
zona são subterrâneas, e ao nível do terreno são formadas
por quatro arcadas sobrepostas, apoiadas em pilares
quadrangulares e fortalecidas por contrafortes
semi-circulares, perfazendo uma altura de trinta e um
metros. Durante as Guerras de Restauração a defesa de Elvas,
cidade fronteiriça da maior importância geo-estratégica,
tornou-se um imperativo, e a localização do aqueduto
transformou-se num obstáculo à construção de um novo
conjunto de fortificações, pelo que os engenheiros militares
puseram a hipótese de derrubar o aqueduto, possibilidade
avalizada por D. João IV (Idem, ibidem). A povoação de Elvas
opôs-se a esta medida, e o Conde de São Lourenço, governador
da Praça de Elvas, conseguiu através de uma petição à Coroa
que o monarca desistisse da demolição. Para contornar as
dificuldades do abastecimento da cidade durante a guerra foi
edificada uma cisterna, desenhada pelo engenheiro Nicolau de
Langres, e edificada na década de 50 do século XVII, segundo
um modelo "abobadado e à prova de bomba", que foi ligada ao
aqueduto através de um cano subterrâneo. C.O.
.
Localização: Elvas.
Textos retirados do site www.ippar.pt |